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Comunidades locais e caminhos de Santiago: alianças e ameaças

Imagen de portada del libro Comunidades locais e caminhos de Santiago

Información General

Resumen

  • A partir da década de 80 do século passado, o Caminho de Santiago, nos seus múltiplos e crescentes itinerários e variantes, experimentou uma nova visibilidade internacional de multifacetada causalidade. O interesse das entidades públicas da Galiza por promover o turismo e a imagem do território, a redinamização da construção (também identitária) europeia da (hoje) União Europeia ou, ainda no quadro da Guerra Fria, a ativa intervenção de promoção da Igreja católica, fizeram com que – com data chave no evento Xacobeo 93 – o Caminho de Santiago passasse a se converter numa realidade muito presente em numerosos territórios peninsulares e europeus atravessados pelos diferentes itinerários jacobeus. O renovado interesse por um património cultural de longínqua origem, como é o caso do Caminho de Santiago, deve necessariamente analisar-se, entendemos, também em função dos processos de globalização e de mercantilização da cultura (a cultura entendida como um recurso económico, dito sinteticamente). As políticas culturais, no contexto europeu, que deram forma ao desenvolvimento dos vários itinerários – seguindo o modelo do Caminho Francês, designado primeiro Itinerário Cultural Europeu em 1987 – estiveram/estão condicionadas pelo desenvolvimento do turismo enquanto aspiração central, resultado igualmente das dinâmicas globalizantes. Neste quadro, também marcado pela rápida recuperação das mobilidades turísticas (e outras) após a interrupção forçada pelo surto da COVID-19, cabe perguntar-se qual é o papel assumido e/ou destinado às comunidades locais afetadas pelo desenvolvimento dos itinerários jacobeus (e, naturalmente, outros empreendimentos com finalidade principal turística) num contexto em que a desigual aliança entre turismo e cultura parece ganhar força. Neste sentido, apresentam-se particularmente urgentes perguntas investigado ras como: O que pensam as comunidades locais dos Caminhos?; O fluxo de Neste quadro, também marcado pela rápida recuperação das mobilidades turísticas (e outras) após a interrupção forçada pelo surto da COVID-19, cabe perguntar-se qual é o papel assumido e/ou destinado às comunidades locais afetadas pelo desenvolvimento dos itinerários jacobeus (e, naturalmente, outros empreendimentos com finalidade principal turística) num contexto em que a desigual aliança entre turismo e cultura parece ganhar força. Neste sentido, apresentam-se particularmente urgentes perguntas investigado ras como: O que pensam as comunidades locais dos Caminhos?; O fluxo de pessoas peregrinas aumenta a auto-estima e reforça a identidade própria das comunidades ou é perturbador?; Mudou o seu modo de vida? Melhorou ou piorou?; É um incentivo para a economia e a produção local?; Qual é a oferta gastronómica, artesã, cultural?; Qual é a imagem de quem visita sobre o visitado? E vice-versa?... Estas e muitas outras perguntas podem, em última instância, sumariar-se em: A visita, a peregrinação são uma aliança ou uma ameaça para as comunidades locais? [...]

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Identificadores de libro

Listado de artículos

    • Nomes de lugares e práticas culturais a través de classificação de discursos: etiquetagem de entrevistas a visitantes a Santiago de Compostela

      Alvaro Iriarte Sanromán, Susana Sotelo Docío

      págs. 11-34

      Artículo
    • Patrimonializaciones neoextractivistas: nuevas formas de despojo en Abya Yala

      Carina Jofré

      págs. 35-67

      Artículo
    • Narrativas e experiências devisitantes do Brasil em Compostela: peregrinação sem caminhada e contemplação da cidade

      Carla Nepomuceno, Roberto Samartim

      págs. 69-75

      Artículo
    • Por outros caminhos nos caminhos portugueses de Santiago de Compostela

      Carla Sofia Ferreira Queirós

      págs. 97-118

      Artículo
    • O desenvolvimento do caminho português da costa na perspetivados municípios e das associações: da cultura ao turismo

      Carlos Pazos Justo, Alvaro Iriarte Sanromán, Maria João Moreira, Inês Americano Lopes

      págs. 119-141

      Artículo
    • Visitantes e atividade comercial em Santiago de Compostela: relação espaço-temporal no ano 2015

      Emilio Carral Vilariño Árbol académico, María Luisa del Río Araújo Árbol académico

      págs. 143-155

      Artículo
    • O desenvolvimento dos caminhos de Santiago: uma análise à ação das comunidades locais no processo de patrimonialização dos itinerários jacobeus no norte interior de Portugal

      Pedro Azevedo

      págs. 157-180

      Artículo
    • Peregrinação e comunidade local: o caso de Romaria - Minas Gerais

      Raphael Campana Marinho

      págs. 181-200

      Artículo
    • Sistemas defensivos do litoral norte no Caminho Português da costa

      Sergio Veludo Coelho, Carla Sofia Ferreira Queirós

      págs. 201-216

      Artículo
    • El Camino de Santiago: ¿ senda o precipicio?

      Silvia Pérez Freire, Fátima Braña Rey

      págs. 217-230

      Artículo
    • Avaliação do envolvimento dos municípios no Caminho Português de Santiago

      Vítor Ambrósio, Carlos Fernandes

      págs. 231-258

      Artículo
    • Pedra-de-toque: epílogo

      Elias J. Feijó Torres

      págs. 259-262

      Artículo

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